quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Na França, entre os praticantes, há mais muçulmanos que católicos

Atualmente, estão em construção em torno de 150 novas mesquitas na França, país que acolhe a maior comunidade islâmica da Europa. Os projetos se encontram em diversas etapas, explicou Mohamed Moussaoui, presidente do Conselho Muçulmano francês, que concedeu estes dados em uma entrevista à Rádio Rtl, em 2 de agosto passado.

A quantidade total de mesquitas na França já dobrou, ultrapassando duas mil nos últimos dez anos, segundo uma pesquisa intitulada: “Construir mesquitas: o governo do islã na França e Holanda”. O líder islâmico francês mais conhecido, Dalil Boubakeur, reitor da Grande Mesquita de Paris, recentemente cogitava que, para satisfazer a crescente demanda, a quantidade total de mesquitas deverá  dobrar até chegar a quatro mil.

Muçulmanos rezam nas ruas da França
Por sua vez, a Igreja Católica construiu na França apenas vinte novas igrejas nos últimos dez anos, e já fechou formalmente mais de sessenta, muitas das quais poderiam se converter em mesquitas, segundo uma pesquisa realizada pelo periódico católico francês La Croix.

Apenas 4,5% de católicos praticantes



Embora 64% da população francesa (41,6 milhões de pessoas entre 65 milhões de habitantes) se defina católica romana, apenas 4,5% (aproximadamente 1,9 milhão de pessoas) é católica praticante, segundo o Instituto Francês da Opinião Pública (IFOP).

Ainda no campo das comparações, 75% (4,5 milhões) dos cerca de 6 milhões de muçulmanos norte-africanos e subsaarianos na França se identifica como “crente”, e 41% (aproximadamente 2,5 milhões) afirma ser “praticante”, segundo um informe sobre o islã na França publicado pelo IFOP em 1º de agosto passado. A pesquisa afirma que mais de 70% dos muçulmanos franceses diz observar o ramadã  em 2011. Os muçulmanos pedem para usar templos católicos vazios.

Somando esses elementos, tais dados proporcionam uma evidência empírica da tese segundo a qual o islã se encontra em vias de superar o catolicismo romano como religião dominante na França. Uma vez que os números crescem, os muçulmanos na França estão se tornando mais afirmativos que antes. Um caso a título de exemplo: grupos muçulmanos na França estão pedindo à Igreja Católica autorização para utilizar suas igreja vazias como meio de resolver os problemas de trânsito causados por milhares de muçulmanos que rezam nas ruas.

Em um comunicado de 11 de março passado dirigido à Igreja da França, a Federação Nacional da Grande Mesquita de Paris, o Conselho de Muçulmanos Democráticos da França e um grupo islâmico chamado Collectif Banlieues Respect pediram à Igreja Católica, com espírito de solidariedade inter-religiosa, que permitisse que as igrejas vazias fossem utilizadas por muçulmanos para a oração de sexta-feira, a fim de que “não se vejam obrigados a rezar na rua” ou “sejam tidos como reféns por políticos”.

Toda sexta-feira, milhares de muçulmanos em Paris e outras cidades francesas bloqueiam ruas e calçadas (e, em conseqüência, bloqueiam o comércio local e aprisionam os residentes não islâmicos nas casas ou nos escritórios) para alocar os fiéis que não conseguem entrar na mesquita para a oração de sexta. Algumas mesquitas começaram a transmitir sermões e cantos de “Allahu Akbar” nas ruas. Estes inconvenientes provocaram ira e reações contrárias, mas apesar de muitas queixas oficiais, as autoridades não intervieram até agora, por temor de gerar incidentes.

A extrema direita se opõe radicalmente

A questão das orações na rua alcançou o lugar de prioridade na agenda política francesa quando, em dezembro de 2010, Marine Le Pen, a nova líder carismática da Frente Nacional, as denunciou como “uma ocupação sem soldados nem tanques de guerra”.

Durante uma reunião na cidade de Lyon, Le Pen comparou as orações islâmicas na rua com a ocupação nazi. Disse: “Para aqueles que amam falar tanto da Segunda Guerra Mundial, podemos também falar destes problema (NdR. as orações islâmicas na rua), porque se trata de uma ocupação de território. É uma ocupação de seções de território, de distritos nos quais a lei religiosa entra em vigor. É uma ocupação. Naturalmente, não há tanques de guerra nem soldados, mas nem por isso deixa de ser uma ocupação que pesa fortemente sobre os residentes”.

Muitos franceses estão de acordo. De fato, a questão das orações islâmicas na rua — e a questão mais ampla do papel do islã na sociedade francesa — se converteu em um problema de primeira ordem, em vista das eleições presidenciais de 2012. Segundo uma sondagem de IFOP, 40% dos franceses está de acordo com Le Pen quanto ao fato de que as orações na rua parecem uma ocupação. Outra sondagem publicada por Le Parisien demonstra que os eleitores vêem Le Pen, que sustenta que a França foi invadida por muçulmanos e traída por suas elites, como a melhor candidata para enfrentar o problema da imigração muçulmana.

Sarkozy considera inaceitáveis as orações na rua

O presidente francês Nicolas Sarkozy, cuja popularidade em julho era de 25% — menor marca registrada para um presidente demissionário um ano antes das eleições presidenciais — parece, segundo TNS-Sofres, decidido a não se deixar superar por Le Pen nessa batalha. Recentemente, declarou que as orações de rua são “inaceitáveis”, e que as ruas não podem se converter “em uma extensão da mesquita”. E advertiu que esse fenômeno pode minar a tradição laica da França de separação entre Estado e religião. O ministro do Interior, Claude Guéant, disse aos muçulmanos de Paris, em 8 de agosto, que em vez de orar nas ruas, podem usar um quartel fora de uso. “Rezar nas ruas é algo inaceitável, deve acabar”.

Algumas declarações de líderes muçulmanos não parecem destinadas a acalmar as inquietações dos franceses (e não só dos franceses). O primeiro ministro turco, Tayyp Erdogan, por exemplo, deu a entender que a construção das mesquitas e a imigração formam parte de uma estratégia de islamização da Europa. E repetiu publicamente as palavras de uma poesia turca, escrita em 1912, pelo poeta nacionalista turco Ziya Gökalp: “As mesquitas são nossos quarteis, os minaretes, nossas baionetas, e os fiéis, nossos soldados”. O arcebispo emérito de Smirne, Giuseppe Germano Bernardini, narra a conversa que teve com um líder islâmico: “Graças às vossas leis democráticas, vos invadiremos. Graças às nossas leis religiosas, vos dominaremos”.


Publicado originalmente na URL http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=9915

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